"Não posso queixar-me da vida, posso só queixar-me de mim próprio", disse Ricardo Ribeiro ao jornal Diário de Notícias, sobre a sua nova empreitada solo. Fadista contemporâneo, lisboeta, a dar-nos horas de fado, ei-lo:
quarta-feira, 6 de julho de 2011
"Tens guito?", perguntou-me, em noite de praça. Surpreso pela ousadia, segredei, a me esquivar de ouvido alheio: "ganza? baseado?". O termo me soava ilícito. "Não! Guito!", ele riu, com os dedos a me indicar dinheiro. Guito, gaita, grana, dindim, bufunfa, tutu: não tínhamos um puto. Sobravam-nos nomes, faltavam-nos moedas.
segunda-feira, 4 de julho de 2011
Oioai
Produzido pelo brasileiro Alexandre Kassin, o primeiro EP dos Oioai já conta cinco anos. Gravaram com Xutos e Pontapés, participaram de um tributo à Carlos Paião e foram banda-sonora (trilha sonora) de novela. Pop-rock gostoso, ói. Oioai!
"Que pirosa", suspirou, a desacreditar de certa cafonice do luxo. Passara uma cócó (dondoca), em olhares desdenhosos e roupas mais que emperequetadas, como a posar para colunas sociais. Pirosa, brega ou cafona, o desalento se fez resmungo ao meu ouvido. "O jet-set é igual, e piroso, em qualquer sítio", remendou. Talvez discordem Lili Caneças e Vera Loyola.
domingo, 3 de julho de 2011
Taxi
Rock português dos anos 80. Quando cantavam Cairo, Mubarak já mandava e desmandava no Egito; quase 30 anos depois, quando voltaram aos palcos de Portugal, com um rock bem diferente, o presidente egípcio ainda era o mesmo, a dar as cartas na "cidade internacional". "Joga-se o xadrez mundial". Os Taxi!
sexta-feira, 1 de julho de 2011
"E o Acordo Ortográfico?", perguntaram-me. Respondo: "pouco me interessa". Uso hífens ao acaso, acentuo por preguiça. Para, pára, para-raios, pára-raios, pararraios? Raios. Escrevo amnistia (anistia), e também fato (facto): minha indulgência é a possibilidade de dupla grafia. As consoantes mudas, não articuladas (actor, óptimo, exacto), dispenso por brasilidade, ou as reforço por preciosismo. Maiúsculas, minúsculas, circunflexos, agudos, confio-me a negligência da intuição, sem as exigências normativas da "reforma" - que me perdoe Antônio Houaiss. Encanto-me não por ortografiquices, mas pelos desacordos fonéticos, sintáticos e pragmáticos de nossos portugueses: pronúncias, calões, expressões correntes, usos vocabulares. Eis o que diferencia, e caracteriza, as nossas línguas. Eis o que me (en)leva.
Lusofonias são questões políticas, e econômicas (ou económicas), que devem ser discutidas no terreno conflituoso das várias ciências sociais - e para lá emigro quando quero conversá-las. Lá. Peço licença, então, para - nestes posts - fugir do imbróglio diplomático e me divertir com as diferenças entre um gambá e uma doninha-fedorenta, uma bolinha-de-gude e um berlinde, um chapéu-de-chuva e um guarda-chuva, sem me preocupar com as novas regras de hifenização, tampouco com a correcção da grafia "antiga" ou com a crítica ao colonialismo às avessas do mercado editorial brasileiro. Talvez a graça esteja, nestas linhas, em discutir pentelhos. A isto, presto-me aqui.
Que assim seja.
Lusofonias são questões políticas, e econômicas (ou económicas), que devem ser discutidas no terreno conflituoso das várias ciências sociais - e para lá emigro quando quero conversá-las. Lá. Peço licença, então, para - nestes posts - fugir do imbróglio diplomático e me divertir com as diferenças entre um gambá e uma doninha-fedorenta, uma bolinha-de-gude e um berlinde, um chapéu-de-chuva e um guarda-chuva, sem me preocupar com as novas regras de hifenização, tampouco com a correcção da grafia "antiga" ou com a crítica ao colonialismo às avessas do mercado editorial brasileiro. Talvez a graça esteja, nestas linhas, em discutir pentelhos. A isto, presto-me aqui.
Que assim seja.
Pinto Ferreira
Uma feliz descoberta. Música boa para dias de verão, dessas que fazem os pés batucarem o chão nas paragens de autocarros. São os Pinto Ferreira, "um pop-rock fresco, e feliz por estar vivo" (ESEC Tv). Para tocar no radinho de mão, ei-los!
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